quinta-feira, 22 de março de 2007

Bom, lá vou eu.

Complicado, complicado.
Meu medo de Nietzsche sempre aumenta, a cada leitura ou pesquisa sobre a vida e teorias dele.
Claro que a morte seria o nada. Mas, na minha opinião, o medo dela vem do medo do desconhecido. Sempre, sempre, sempre.

Eu tava agora pensando, damos valor no momento que perdemos. Damos valor à vida por sabermos que iremos perdê-la. Ou não. Ou vivemos o tempo todo com medo da morte, sem saber por onde seguir no momento de aproveitar. Acho que vivemos no 'ah, carpe diem' mas nunca aproveitamos de verdade. Se fossemos ver e entender o que cada minuto significa. Como quando os rapazes que trabalham para a Immacolata que comentavam sobre a falta de tempo enquanto esperavam pelo ônibus, sobre a pressa que sempre temos. Até que a Alejandra disse: 'Paciência, agora é hora de esperar o ônibus'.

Na verdade, eu acho o ser humano burro. Acho a nossa criação medonha, de esconder a morte e o que ela é na verdade. Há algo de uma elevação sobrenatural que nos faz achar que, morrer, é o interromper, do fluxo de pensamento, de construções. Nada mais natural do que a morte. Perder o direito de morrer, talvez, nos fizesse dar valor a ela ['Intermitências', novamente].

Voltando, acho uma espécie de sentimento medíocre, o de valorizar quando perde. Valorizemos enquanto temos, descubramos o que há de melhor, de tirar um proveito. Dessa forma, deveríamos mudar totalmente a forma como vivemos. Se não houvesse tanta pressa, saberíamos da existência da morte e ficaríamos felizes tanto porque ela existe quanto porque a vida existe. Associo isso tudo à falta de tempo para pensar, para ponderar e aceitar o que é correto ou inevitável. A partir daí, estudar o que não podemos mudar, 'o nosso encontro com o único mal irremediável' como dizia o próprio Chicó, no 'Auto da Compadecida'.

Não vale só para a morte. Entendamos, Lu, aceitemos [ou não], estudemos. Rá, o não-aceitar tornar-nos-á imortais. E o medo disso?



Confuso, confuso, eu sei. Sinto muito, Lu. Foi uma linha de pensamento feia. Prometo organizar-me melhor na próxima. =*

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