
Já que faz um tempão que não discutimos nada, e como vc, Gábe, me abandonou no feriado, vou escrever sobre algo que andei lendo nesses últimos dias.
Livro do Desassossego - Fernando Pessoa, melhor presente de aniversário com ctz (by Marcello Portugal)!
na verdade não comecei o livro propriamente dito, confesso que seu tamanho me intimida, mas aos poucos vou avançando.
lendo o prefácio e todas aquelas explicações que os editores colocam no começo, encontrei um ponto que me chamou a atenção - e que mereceram a dobrinha no canto da pág, técnica que roubei de outra pessoa por sinal..
enfim, voltando....
talvez repetirei muito do que já disse no meu último post "o que era doce se acabou?", mas ao me deparar com esse assunto, do qual nunca tinha pensando antes, 2 vezes em tão pouco tempo fico me perguntando se seria coincidência ou como sempre me dizem, seria uma oportunidade que se abriu no momento em que fui chamada a olhar pra isso com maior atenção?portanto, não vou desperdiçá-la:
citando a ficção de Bernardo Soares - um de seus hetrênimos - Fernando Pessoa propõe o que "para viver bem era preciso manter sempre vivo o sonho, sem nunca realizá-lo, dado que a realização seria sempre inferior ao sonhado".
agora, se o que sonhamos é sempre superior ao que realmente somos capazes de alcançar, então pensei em duas saídas:
seria melhor não mais sonharmos e vivermos num nível de desejo que nossas habilidades reais sejam capazes de satisfazer, ou, como propõe Pessoa: não fazemos nada, apenas sonhamos, cumprimos os deveres cotidianos mas vivemos em grande parte na imaginação?
sinceramente não consegui pensar em argumentos bons pra defender nem um nem outro. é dificil imaginar uma vida essencialmente pragmática, sem devaneios, sem sonhos, sem ambição. Uma vida sem sonhos, seria quase uma vida sem horizontes, sem metas, porque afinal não temos como saber se realmente seremos capazes de alcançá-los, sempre que tentamos entramos num terreno incerto, estamos tentando a sorte, as vezes com maiores, as vezes com menores possibilidades, mas como tudo que depende se um resultado futuro nos é desconhecido, qualquer ação que aqui considerei pragmática, talvez seja também uma idealização com tantas chances de não se realizarem como queríamos quanto os sonhos mais extraordinários. Não?
E do outro lado, uma vida que gire em torno de sonhos, na qual as realizações seríam "evitadas" porque sempre seriam inferiores ao que idealizamos não seria uma forma de mostrar fraqueza e acomodação? se não conseguimos realizar um sonho do jeito que o imaginamos, então desistimos de todas as outras tentativas e vivemos apenas no imaginar? o que nos motivaria a acordar td dia e estudar, trabalhar, ir em frente? pelo que nos esforçaríamos? para comer, beber e outras atividades que nos mantivessem vivos? afinal disso somos capazes, mesmo que (+ uma vez) não à altura que talvez tivessmos imaginado, mas ainda sim precisaríamos sobreviver. mas sobreviver a que? estaríamos vivendo? ou estaríamos em constante estado de coma, no qual sonhamos com tudo o que desejamos sem ir atras de nada? dessa forma me vejo em uma cama, em estado vegetativo, extrema passividade, deixando de tentar por medo de falhar...
sim é verdade que na maioria das vezes temos esse medo, que fazemos de tudo para não falhar e buscamos alcançar "o melhor", mas daí a não agir?
como é clichê nas considerações finais poderia dizer que um meio termo a tudo isso seria o ideal, mas não sei se serviria de algo, então paro por aqui...
é issu!
Gábe volta loguu e responde minhas msgss!!!!!
bjus

