domingo, 29 de abril de 2007

"Viver sonhando, sonhar imaginando, imaginar sentindo" - F. Pessoa


Já que faz um tempão que não discutimos nada, e como vc, Gábe, me abandonou no feriado, vou escrever sobre algo que andei lendo nesses últimos dias.

Livro do Desassossego - Fernando Pessoa, melhor presente de aniversário com ctz (by Marcello Portugal)!

na verdade não comecei o livro propriamente dito, confesso que seu tamanho me intimida, mas aos poucos vou avançando.

lendo o prefácio e todas aquelas explicações que os editores colocam no começo, encontrei um ponto que me chamou a atenção - e que mereceram a dobrinha no canto da pág, técnica que roubei de outra pessoa por sinal..

enfim, voltando....

talvez repetirei muito do que já disse no meu último post "o que era doce se acabou?", mas ao me deparar com esse assunto, do qual nunca tinha pensando antes, 2 vezes em tão pouco tempo fico me perguntando se seria coincidência ou como sempre me dizem, seria uma oportunidade que se abriu no momento em que fui chamada a olhar pra isso com maior atenção?portanto, não vou desperdiçá-la:

citando a ficção de Bernardo Soares - um de seus hetrênimos - Fernando Pessoa propõe o que "para viver bem era preciso manter sempre vivo o sonho, sem nunca realizá-lo, dado que a realização seria sempre inferior ao sonhado".

agora, se o que sonhamos é sempre superior ao que realmente somos capazes de alcançar, então pensei em duas saídas:

seria melhor não mais sonharmos e vivermos num nível de desejo que nossas habilidades reais sejam capazes de satisfazer, ou, como propõe Pessoa: não fazemos nada, apenas sonhamos, cumprimos os deveres cotidianos mas vivemos em grande parte na imaginação?


sinceramente não consegui pensar em argumentos bons pra defender nem um nem outro. é dificil imaginar uma vida essencialmente pragmática, sem devaneios, sem sonhos, sem ambição. Uma vida sem sonhos, seria quase uma vida sem horizontes, sem metas, porque afinal não temos como saber se realmente seremos capazes de alcançá-los, sempre que tentamos entramos num terreno incerto, estamos tentando a sorte, as vezes com maiores, as vezes com menores possibilidades, mas como tudo que depende se um resultado futuro nos é desconhecido, qualquer ação que aqui considerei pragmática, talvez seja também uma idealização com tantas chances de não se realizarem como queríamos quanto os sonhos mais extraordinários. Não?

E do outro lado, uma vida que gire em torno de sonhos, na qual as realizações seríam "evitadas" porque sempre seriam inferiores ao que idealizamos não seria uma forma de mostrar fraqueza e acomodação? se não conseguimos realizar um sonho do jeito que o imaginamos, então desistimos de todas as outras tentativas e vivemos apenas no imaginar? o que nos motivaria a acordar td dia e estudar, trabalhar, ir em frente? pelo que nos esforçaríamos? para comer, beber e outras atividades que nos mantivessem vivos? afinal disso somos capazes, mesmo que (+ uma vez) não à altura que talvez tivessmos imaginado, mas ainda sim precisaríamos sobreviver. mas sobreviver a que? estaríamos vivendo? ou estaríamos em constante estado de coma, no qual sonhamos com tudo o que desejamos sem ir atras de nada? dessa forma me vejo em uma cama, em estado vegetativo, extrema passividade, deixando de tentar por medo de falhar...

sim é verdade que na maioria das vezes temos esse medo, que fazemos de tudo para não falhar e buscamos alcançar "o melhor", mas daí a não agir?


como é clichê nas considerações finais poderia dizer que um meio termo a tudo isso seria o ideal, mas não sei se serviria de algo, então paro por aqui...


é issu!

Gábe volta loguu e responde minhas msgss!!!!!

bjus

sábado, 7 de abril de 2007

Babylon versus Passárgada

Na verdade, eu parei para pensar sobre isso há um mês, mais ou menos; sem nunca conseguir traçar qualquer linha decente de raciocínio [só pra variar].

Babylon. Babylon é lar do prazer, consumo irrestrito; do pan-de-ló e do moët chandon; rayban, passeio de iate e manhanttans; francês.
Pasárgada é a cidade do amigo do rei; de mulheres a qualquer hora; de cansaço gostoso e descanso, logo em seguida.

Para comparar as duas cidades 'imaginárias'; eu parei e pensei na idade, em como Babylon representa, pra mim, tudo do carpe diem e do novo, do rápido, do prazer constante e dolorido; irremediavelmente bom. Pasárgada é o lugar para onde os mais velhos vão quando se cansam do mundo, da falta de certas coisas, da necessidade de dormir e de ter a mulher que quiser. Rá, talvez o confronto das idades seja estúpido, por conta do confronto entre Zeca Baleiro e Manuel Bandeira.

Babylon é o lugar do consumo, capital. Pasárgada é o do prazer apenas humanos e sem necessidade de compra. Em Babylon você tem o dinheiro; em Pasárgada, você não precisa dele.

Babylon é lugar para viver; Pasárgada é lugar para morrer.
Então, para que confrontar os dois se eles deveriam se unir e formar um lugar para viver a vida toda; tanto no período de pouca idade, de velocidade; quanto no período de lentidão, de muita idade; tanto no período de vida; quanto no período de parar e descansar? Pasárgylon.

Acho que ele até existe, esse lugar. Na verdade, Lu, juntando com o teu, e o nosso 'gostamos de sofrer' [ou o do Nietzsche]; nunca vamos achar Babylon ou Pasárgada. Inventaremos cidades assim para manter a distância da felicidade; ou para esconder a incompetência.
Indeed, minha cara; nós, os estúpidos, contentaremo-nos com a Disneylândia e that's all for these holidays.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

O que era doce se acabou?

Outra da aula do Clóvis que me fez refletir...

De maneira bem simplificada: nunca chegamos a realizar nossos desejos, pois sempre quando o pensamos alcançar, nesse momento, já deixaram de ser desejos.

Parece que não, que agente valoriza, que sabemos o quanto lutamos pra conseguir aquilo, mas no fundo, no fundo, é um pouco verdade...
Não importa quanto tempo passemos atrás de algo, quanto soframos e nos angustiemos pra alcançar algo, quando o conquistamos podemos até nos alegrar na hora mas e depois? Inevitavelmente, instantaneamente ou não, deixamos de dar valor àquela conquista, ou se não completamente , aos poucos a conquista - o prêmio final - se perde entre outros desejos que depois dele vieram. simplesmente aquela vitória é esquecida pois afinal temos mais com que nos preocupar, porque perder tempo nos vangloriando ou aproveitando o momento se há mais a ser feito? se há muito mais a ser conquistado? sempre!

um exemplo bem simples: passar na Fuvest, entrar na USP, estudar na ECA.... uma coisa de cada vez... conquistadas mas hoje nao tao valorizadas quanto foram nas madrugadas de estudo, nas angustiantes tentaivas de acertar aquele exercicio impossivel, nas tensas horas de prova, nas renuncias aos amigos, à família... tudo pelo que? uma vaga na USP... e ela veio... e com ela um, dois, três dias de euforia e comemoração. depois? bom depois passou de um desejo para um mero fato da vida, algo com que teria que conviver (com grande prazer mas ainda sim algo rotineiro), sem maiores comemorações.... afinal, há outras coisas pela frente... agora são novos desejos, a formatura, o diploma, o emprego.. muitos objetivos a se alcançar.... atrás desses vêm outros e assim por diante... não que isso seja ruim, afinal o que, senão esse sistema, para nos motivar a viver, a seguir em frente a cada dia? mas pq aquele frio na barriga, aquela expectativa acaba morrendo quando chegamos lá? tem que ser assim? ou queremos que seja assim?
claro que esse é só um exemplo, em tds as esferas da vida tenho mtos outros... a experiencia que perde a graça quando se realiza, o lugar que passa batido pela sgunda vez que o visitamos, a pessoa que vira "mais uma peça" de nossas vidas diárias, o fruto que perde a doçura quando experimentado...
enfim...
talvez tenha fugido um pouco do que eu me propus a discutir.. muito provavelmente o que eu escrevi, por mais que eu desejasse, nao tem mto a ver com a aula... mas já que o meu desejo nunca vai ser realizado pra que me preocupar né?


com ctz as aulas de Quinta naquela sala lotada e quente tao mexendo comigo....

quinta-feira, 22 de março de 2007

Crise...

confuso, confuso, confuso sim gabe! mas gostei! e concordo com mta coisa do q vc disse p. exemplo de que agnt ia valoriza mto a morte c a perdessemos ou q temos q valorizar a vida pq a temos e nao importa q um dia nao a teremos mais... enfim.. fika pra outro post! agr to cansada, confusa tb. Crise existencial!? nao sei, os anos vao passando, agente acha q fez mta coisa mas para pra pensa q em tanta coisa talvez nao tenha separado tempo pra pensa em coisas simples (ou nao tao simples) como essa discussao.. nao que seja simples, mas é algo tao banal q passa desapercebido, e qnd prestamos atençao nao sabemos que resposta dar, pra que lado virar, que posicao tomar... mais crise!! e os anos vao passando mais! 20 anos! 2 décadas.. mta coisa vem a cabeça! amigos, familia, estudo, futuro... temos mto mas nao temos nada, queremos mais ainda mas quando alcançamos nao estamos satisfeitos porque nao temos o que agora, no momento novo, queremos.. enfim é isso
desculpa a falta de nexo nesse post tb mas eh q falta pouco pra 00:00 dia 23.. onde td começou.. e por onde td vai passar ateh acabar...

Bom, lá vou eu.

Complicado, complicado.
Meu medo de Nietzsche sempre aumenta, a cada leitura ou pesquisa sobre a vida e teorias dele.
Claro que a morte seria o nada. Mas, na minha opinião, o medo dela vem do medo do desconhecido. Sempre, sempre, sempre.

Eu tava agora pensando, damos valor no momento que perdemos. Damos valor à vida por sabermos que iremos perdê-la. Ou não. Ou vivemos o tempo todo com medo da morte, sem saber por onde seguir no momento de aproveitar. Acho que vivemos no 'ah, carpe diem' mas nunca aproveitamos de verdade. Se fossemos ver e entender o que cada minuto significa. Como quando os rapazes que trabalham para a Immacolata que comentavam sobre a falta de tempo enquanto esperavam pelo ônibus, sobre a pressa que sempre temos. Até que a Alejandra disse: 'Paciência, agora é hora de esperar o ônibus'.

Na verdade, eu acho o ser humano burro. Acho a nossa criação medonha, de esconder a morte e o que ela é na verdade. Há algo de uma elevação sobrenatural que nos faz achar que, morrer, é o interromper, do fluxo de pensamento, de construções. Nada mais natural do que a morte. Perder o direito de morrer, talvez, nos fizesse dar valor a ela ['Intermitências', novamente].

Voltando, acho uma espécie de sentimento medíocre, o de valorizar quando perde. Valorizemos enquanto temos, descubramos o que há de melhor, de tirar um proveito. Dessa forma, deveríamos mudar totalmente a forma como vivemos. Se não houvesse tanta pressa, saberíamos da existência da morte e ficaríamos felizes tanto porque ela existe quanto porque a vida existe. Associo isso tudo à falta de tempo para pensar, para ponderar e aceitar o que é correto ou inevitável. A partir daí, estudar o que não podemos mudar, 'o nosso encontro com o único mal irremediável' como dizia o próprio Chicó, no 'Auto da Compadecida'.

Não vale só para a morte. Entendamos, Lu, aceitemos [ou não], estudemos. Rá, o não-aceitar tornar-nos-á imortais. E o medo disso?



Confuso, confuso, eu sei. Sinto muito, Lu. Foi uma linha de pensamento feia. Prometo organizar-me melhor na próxima. =*

A Vida só vale pelo que ela não é


Então, depois de uma PUTA aula do Clóvis, nao vou resistir e postar uma discussão sobre só um dos mtos pontos q ele abordou!
A Vida só vale pelo que ela não é! Porque valorizar a vida? Porque sabemos q um dia ela terá fim. assim como valorizamos a saúde quando estamos doente, um amigo quando há a separação ou quando nos lamentamos pelo amor que perdemos, damos tanto mais valor à vida quanto sentimos, através das experiências e da percepção da morte alheia, que a vida é efêmera. Então, se é na finitude da vida que se encontra a razão de sua valorizaçao podemos dizer que é na morte que encontramos a prova final que precísavamos para "cair na real".

A morte é que dá valor à vida


É ela que, de uma maneira mtas vezes brusca, e para nossa cultura, de uma maneira bastante dolorosa, evidência a breviedade da vida. É ela que nos joga na cara que a vida nada mais é do que uma passagem pela terra, uma passagem que tem dia e hora marcada pra acabar.


É essa certeza do fim que tanto nos assusta e é o que nos faz valorizar cada minuto da vida. Segundo Platão; o valor se dá pelo que falta. tem casos, inclusive, em que agente tem consciência de que não tem (temos consciência da falta), e valorizamos isso a tal ponto que estamos dispostos a enfrentar dificuldades e fazer sacrifícios para conquistar-lo, às vezes já sabendo que valerá a pena, às vezes prontos pra correr o risco.


Se a vida fosse eterna, (à la Saramago em "Intermitências da Morte"), e tivéssemos a ctz de que ela nunca nos faltaria,(além do caos!) não seríamos tão eufóricos quanto a cada experiência e oportunidade, não buscaríamos viver tão intensamente cada momento: aproveitar cada festa, lutar por cada sonho, amar intensamente familiares e amigos, saborear cada doce que colocamos na boca. O fazemos somente ao perceber, que o relógio da vida está permanentemente em contagem regressiva, e não podemos revertê-lo...


Ae Gabe, é umas das coisas q ele discutiu! Tem mtoo mais coisa, eu vo colocando aos poucos ateh a aula q vem ok!? E não tenha medo do Nietzsche ele parece ser bemmm styleee! apesar de ser mtoo ateu pro meu gosto hahaha

sexta-feira, 16 de março de 2007

O Porquê


Todo blog tem um porquê. Uma idéia, uma necessidade, um insight, uma loucura. O deste nasceu justamente de uma idéia, uma necessidade, um insight e uma loucura. Publicar as discussões que surgem durante nossos almoços no bandejão. Sempre com algum tema, no mínimo polêmico, as discussões, que na verdade nunca se limitam às mesas do refeitório, serão aqui expostas, ou ao contrário, serão aqui levantadas para serem por lá discutidas. Por isso crio este blog, com a intenção de expor num meio, potencialmente democrático e público (isso já pode ir para a lista de discussões), nossas opiniões, curiosidades e viagens sobre os mais diversos assuntos. Como comunicólogas "wanna be" nada mais justo que entrar para o blogger space e usufruir deste novo recurso para compartilhar as mais sérias e divertidas, as melhores e piores conversas que se poderia imaginar!!!

Se alguem chegar a entrar neste blog, fique a vontade para comentar, opinar ou discordar de nossas opiniões, o que importa é participar!


Lu